sábado, 25 de setembro de 2010

Estado de espírito

Vou contar-vos uma história..
Um dia estava eu a almoçar em casa com a minha família, quando de repente toca o meu telefone e do outro lado está uma voz, que me diz para ir depressa para casa da minha mãe, porque algo de grave estava a acontecer... assim fiz, com o coração nas mãos, abandonei a minha casa a correr, para me deparar com a minha mãe deitada no sofá, o meu irmão mais novo em desespero (foi ele que chamou o 112, que só atenderam à segunda chamada) e uns vizinhos, que vieram em auxílio depois de ouvirem o meu irmão gritar nas escadas por ajuda ( eles também tiveram de telefonar de novo para o 112, para, talvez, não sei, acreditarem que a situação era mesmo grave). Bem, a minha mãe estava consciente mas de olhos fechados, queixava-se muito da cabeça, tinha estado a vomitar sangue e eu percebi, que para ela deixar que fossem os bombeiros lá a casa, era porque a coisa era mesmo grave!!! Entretanto, chegou a minha irmã e finalmente os bombeiros. Fizeram perguntas de rotina, mediram a tensão, o açúcar no sangue, foram atenciosos e levaram-na pelo pé dela para a ambulância... Entrámos nos carros, em grande ansiedade, mas a ambulância não arredava do mesmo local. Entretanto vejo, que um dos elementos dos bombeiros está ao telémovel, provavelmente para o hospital a expor o caso e isso não podia ser bom! Bem, ao fim de 15 longos minutos, arrancámos finalmente em direcção ao hospital da Amadora... ainda vi a minha mãe a sair da triagem e a passar no corredor... Os bombeiros dirigiram-se na minha direcção e disseram-me que ela tinha vindo o caminho todo a falar sobre os filhos, mas que tinha tido uma convulsão no corredor e que estava na SALA DE REANIMAÇÃO...
REANIMAÇÂO... MEU DEUS!!! Foi aí que os meus olhos se encheram de lágrimas!!!
Passados 10 minutos chamaram o acompanhante, entrei petreficada, quando a médica me abre a porta da sala de reanimação e me diz para entrar... (Como uma coisa são os filmes que vêmos e outra bem diferente, é a vida real, ao olhar para a minha mãe numa maca inconsciente, cheia de convulsões, com imensa gente à volta dela, disse: " Desculpe, mas eu não consigo estar a ver isto!!!").
A Médica optou então por fechar a porta e me fazer as perguntas no corredor, se ele se tinha enervado, se tinha a tensão alta, se tomava medicamentos... (Só um bocadinho, que eu vou perguntar ao meu irmão que vive e que estava com ela na altura e já volto para lhe dizer!)...
Uma hora de desespero, nunca mais era chamada de novo... De repente ouço, que posso entrar para um gabinete, mas quando lá chego não vejo a minha mãe e começo a perguntar por ela... quando chega uma Auxiliar, simpática, simpática, daquelas que lidar com pessoas ou objectos é igual e diz-me: "Não me ouviu a chamá-la??? É favor de me acompanhar à OUTRA SALA DE REANIMAÇÃO." O Quê??? Eu não acredito, a minha mãe morreu, o meu irmão de 15 anos está lá fora à espera de notícias, a minha irmã está em choque.. então perguntei-lhe: " Mas vai dar-me alguma má notícia?" E Ela respondeu em tom seco: "Não lhe posso dizer nada." Fui atrás dela feita cordeirinho a pensar, estão-me a levar à outra sala de reanimação, porque querem que eu reconheça a minha mãe e eu não vou aguentar..." Entretanto tivémos de passar em frente aos meus irmãos, que me perguntavam o que se estava a passar e porque é que eu não dizia nada! Ao fim de alguns segundos, repondi baixinho... " Estão a levar-me à outra sala de reanimação..." O QUÊ??? Os olhos encheram-se de lágrimas a boca de perguntas, senão quando, a senhora auxiliar deve ter finalmente reparado no desepero do meu irmão mais novo e disse: " Ela não quer tirar a prótese nem o anel". Ah, o quê, ela está viva!!! Nem acredito, obrigado, obrigado.

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